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Domingo Legal

Comunidade judaica cresce no Nordeste e traz tradições para a região

Por: verdinha às 9:05 de 25/08/2014

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Rabino Gilberto Ventura Foto: José Leomar/Diário do Nordeste

A comunidade judaica e os costumes tradicionalmente judeus estão mais presentes na sociedade brasileira e também no Nordeste do que se pensa. Alguns historiadores consideram que existam cerca de 40 milhões de descendentes de judeus no Brasil, segundo o professor de história judaica e rabino Gilberto Ventura, que foi entrevistado por Evandro Nogueira para o programa Domingo Legal deste domingo (24).

Gilberto falou sobre a perseguição sofrida pelos judeus – nesse caso, após a expulsão dos holandeses do Brasil, que os garantia maior segurança – e como, mesmo assim, os costumes desse povo permaneceram na cultura do brasileiro.

“Depois disso (expulsão dos holandeses), os judeus, precisam esconder o judaísmo no Brasil. Como é que você esconde? Maquiando. Quer ver? No Sul do Brasil, como é que o pessoal mata galinha? Destronca o pescoço. Eu já vi isso muito no interior de São Paulo. No Nordeste, tem um costume diferente. Você tem muitas famílias que cortam a jugular da galinha e deixam sangrando. Esse é exatamente o costume judaico, porque a gente não pode comer o sangue do animal. É um costume judaico que foi preservado aqui no Nordeste”, disse o Rabino.

Ouça a entrevista na íntegra:

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Gilberto explica o contexto histórico de como os judeus chegaram ao Brasil. Ele menciona as perseguições que eles sofreram desde a Espanha, depois em Portugal, até, por fim, chegarem ao Brasil. Cita a influência dos holandeses na segurança e preservação dos costumes judaicos. Por todas essas questões, os judeus são numerosos no Brasil: há cerca de 120 mil judeus apenas em comunidades oficiais, fora desses grupos existem muitos outros. Só de descendentes são 40 milhões.

“O que acontece hoje no Brasil é um ressurgimento da percepção do povo brasileiro com sua origem judaica. Essa percepção não se dá somente com aqueles que querem retornar ao judaísmo, que buscam as raízes das suas famílias, mas você pode perceber um fenômeno exclusivo do Brasil, que é o das igrejas evangélicas que tem se utilizado cada vez mais de símbolos judaicos, de palavras em hebraico. Em São Paulo tem em toda esquina uma igreja evangélica, não só com palavras em hebraico, mas muitas vezes escritas em hebraico”, comenta Gilberto.

Sobre o crescimento da comunidade judaica no Brasil, o rabino destaca: “tem um dado muito interessante no último IBGE de um crescimento dos judeus no Nordeste no número de dez mil. Aí você fala: ‘meu deus do céu não tem nenhuma comunidade judaica crescendo no Brasil’. Porque as comunidades judaicas são parte da sociedade como um todo e como parte elas se assimilam. A única comunidade judaica que cresceu no Brasil foi no Nordeste. E quem são essas pessoas? Não são pessoas das comunidades oficiais. São pessoas que se definem como judeus porque descobriram sua ancestralidade”, disse Gilberto Ventura.

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