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Conheça as histórias do Sr. Admilson, o motorista habilitado mais velho do Ceará

Por: verdinha às 11:16 de 12/06/2013

Sr. Admilson trocou de carro recentemente e ainda utiliza o veículo para atividades diversas no dia a dia

Sr. Admilson trocou de carro recentemente e ainda utiliza o veículo para atividades diversas no dia a dia. Fotos: Felipe Martins

Aos 92 anos de idade, Admilson Juvêncio Monteiro é o motorista mais velho registrado pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran-CE) no estado do Ceará. Nascido em São Gonçalo do Amarante, a 55 Km de Fortaleza, o tenente-coronel reformado que já guiou por toda parte do País teima em manter o vigor na direção, um prazer de quase 60 anos.

Em 1954, Admilson impressionou o examinador quando fez a prova de direção. Ele nunca havia dirigido antes (não existia Auto Escola à época) e, ainda assim, apresentou um ótimo desempenho. “Um lugar de destaque entre as equipes que ele (o perito) examinou”, completa orgulhoso. Admilson aprendeu tudo sozinho; observando os caminhoneiros com quem viajava durante as férias entre Fortaleza e Recife.

Cursou Medicina na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) aos 22 anos e, logo depois, voltou a Fortaleza, onde entrou para o exército como primeiro-tenente médico. Hoje, ele é tentente-coronel reformado. “Por merecimento!”, faz questão de ressaltar.

Em 1979, fez um viagem de cerca de 7000 Km com a antiga esposa, uma filha e uma sobrinha, atravessando Belém, Brasília, Rio de Janeiro, até chegar em Fortaleza. Um caminho muito difícil, à época, com muitas das rodovias ainda não asfaltadas. “Foi o test drive da minha vida; da minha carreira como motorista”, conta.

Motorista passa por testes anualmente para continuar com a carteira habilitada

Motorista passa por testes anualmente para continuar com a carteira habilitada

Após 40 anos, em 2009, Admilson se aventurou em mais um desafio audacioso. Aos 89 anos, foi convidado por uma concessionária de carros a participar de um rally. Não só aceitou, mas se destacou como “Piloto Revelação”, ganhando duas medalhas pela performance na trilha de aproximadamente 200 Km de areia e barro entre Fortaleza e Flecheiras, no município de Trairi. Uma por desempenho; outra por ser “o mais ‘novo’ da equipe”, brinca com aspas nos dedos. “Competi com um carro de potência inferior e tive um desempenho melhor que muitos”, lembra.

Pique mantido no cotidiano e carro novo

Hoje, mantém o pique na S-10 que trocou há pouco mais de um mês. Leva a esposa ao shopping, busca a neta no colégio, visita a filha e viaja a cada 15 dias a Paracuru, onde tem uma casa. O único sinal vermelho para Admilson é um problema macular que o impede de dirigir durante à noite. “Mas estou com uma boa forma física”, garante. Para continuar com a CNH válida, ele passa anualmente por diversos exames médicos no Detran.

Para Admilson, a maior dificuldade do trânsito de hoje é “a irresponsabilidade, a imprudência e a indisciplina” dos guiadores. “Nunca bati!”, afirma. “As únicas multas e infrações que cometi foram leves”. “Sou suspeita para falar, mas ele é um ótimo motorista”, conta a esposa, professora aposentada Maria Olinda de Paiva. Ela, no entanto, fica preocupada atualmente. Mas ele não está nem aí. “Não fico preocupado e falo o porquê: dirijo mais pensando nos outros do que em mim”. Este é o segredo que ele revela e faz questão de repetir.