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Polícia reprime manifestações na Av. Paulino Rocha com bombas e balas de borracha

Por: verdinha às 21:10 de 19/06/2013

Polícia atuou com bombas de gás lacrimogênio e tiros de borracha para reprimir os manifestantes: Foto: Murilo Viana

Polícia atuou com bombas de gás lacrimogênio e tiros de borracha para reprimir os manifestantes na Av. Paulino Rocha: Foto: Murilo Viana

Um grupo de manifestantes seguiu pela BR-116 após embate com o Batalhão de Choque da Polícia Militar (BP Choque) na AV. Alberto Craveiro, onde cerca de 20 mil pessoas, segundo a Polícia Rodoviária Estadual, foram protestar contra a corrupção no país, o Projeto de Emenda Constitucional 37 (PEC 37) e os gastos para a Copa das Confederações, entre outros temas.

Por volta das 14h, manifestantes caminharam pela BR e interceptaram uma das vias a caminho da AV. Paulino Rocha, que dá acesso à Arena Castelão, no intuito de prosseguir com o ato

Até pouco depois do viaduto que dá acesso à Av. Paulino Rocha, a manifestação permanecia pacífica. Cartazes pediam o fim da corrupção no País e vozes ecoavam coros de crítica aos excessivos gastos com a Copa. Durante o percurso, também eram frequentes gritos pedindo que o protesto acontecesse sem violência.

Quando os manifestantes chegaram na área de acesso ao estádio, na Avenida, várias forças policiais, como o Batalhão de Choque da Polícia Militar (BP Choque) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF) impediu os manifestantes de prosseguirem e tentaram negociar o impedimento do avanço com algumas pessoas. Enquanto isso, um pequeno grupo tentou acessar a área e o BP Choque impediu-os, lançando bombas de efeito moral.

Após persistência dos integrantes do protesto, o BP Choque cedeu e as pessoas conseguiram prosseguir com o ato até um trecho com distância de cerca de 200m da Arena Castelão. O BP Choque, então, fez uma barreira impedindo as pessoas de prosseguirem e continuou reprimindo a manifestação com bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral, enquanto um pequeno grupo de insurgentes revidava com pedras e objetos encontrados na rua.

Por volta das 17h, quando alguns protestantes já começavam a se dispersar, um grupo considerável permaneceu de frente para à barreira do BPChoque. Bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha começaram a ser atiradas contra os manifestantes.

Relatos de jovens que estavam na área afirmam que a repressão policial começou sem que os manifestantes tentassem avançar e cometer atos de violência contra o BPChoque. No entanto, policiais do Comanto Tático Motorizado (Cotam) relataram que os manifestantes tentaram avançar antes da repressão policial.Veja relatos de pessoas que sofreram com atos violentos da polícia. 

A partir de então, um grupo isolado começou a atirar pedras contra a polícia e colocar as grades de acesso aos estádio no meio da Av. Paulino Rocha para impedir o avanço policial. Enquanto uns corriam, outros se refugiavam nas casas dos moradores da região. Cartazes da Copa das Confederaçoes foram arrancados dos postes, cones e depósitos de lixos foram incendiados.

A polícia continuou avançando com a repressão. Às 18h15,os manifestantes já haviam se dispersado da avenida, mas as marcas da manifestação eram visíveis. Vários vasos verdes e amarelos que ficavam nas divisórias das duas vias foram destruídos e pedaços de vidro de vários ônibus que se encontravam na avenida.

Moradores ficaram assustados com o cenário de guerra próximo de suas residências

Acostumados com a tranquilidade cotidiana do local onde residem, os moradores do entorno da Arena Castelão viveram uma tarde de tensão, devido o confronto entre manifestantes e policiais. O estampido das bombas, além do corre-corre e das pedras fez com que muitas pessoas ficassem trancafiadas em casa. Quem tentou se locomover pela Avenida Paulino Rocha, nas proximidades da manifestação, sentiu de perto a violência do confronto.

Wilson de Souza se dirigia para casa com sua esposa e sua filha quando um artefato, segundo ele jogado pela Polícia, atingiu sua filha. “Isso é uma covardia. A gente só quer ir pra nossa casa e passa por esse tipo de coisa. Está aqui, agora, minha filha, chorando, assustada com tudo isso”, desabafou.

Nas próximidades da ponte da comunidade do Cal, um grupo de moradores afirmou ter sido atingido por tiros de balas de borracha. “A gente estava apenas olhando o movimento, quando eles (Polícia) chegaram aitrando bala de borracha na gente. Por sorte, ninguém foi atingido com gravidade”, afirmou um morador que preferiu não se identificar. Os Policiais que faziam a segurança do local negaram o fato.