Esporte

Montanhista cearense Rosier Alexandre se prepara para o grande desafio: chegar ao topo do Monte Everest

Por: verdinha às 9:05 de 11/06/2013

Rosier Alexandre se prepara para subir o Monte Everest, a montanha mais alta do mundo. Foto: Patrícia Araújo

Rosier Alexandre se prepara para subir o Monte Everest, a montanha mais alta do mundo. Foto: Patrícia Araújo

O montanhista Rosier Alexandre tem uma história que inspira muitos. Descendente de uma família de agricultores de Monsenhor Tabosa, a 319 km de Fortaleza, ele ganha as montanhas mais altas do mundo com o projeto Sete Cumes.

O cearense conversou com a Redação Web da Rádio Verdes Mares sobre os preparativos para o último desafio do projeto, chegar ao cume do Monte Everest, e sobre os desafios de ontem e de hoje da  jornada que o leva do interior do Ceará ao topo do mundo.

Rádio Verdes Mares: Você  nasceu na zona rual, em Monsenhor Tabosa e trabalhou como agricultor até os 15 anos. Já foi engraxate, vendedor de frutas, e você fez história ao ser o primeiro montanhista do norte e nordeste a escalar o Aconcágua, a maior montanha da terra fora da Ásia. O que lhe fez querer subir montanhas e ser quem você é hoje?

Rosier Alexandre: Eu nasci olhando pra uma cadeia de montanhas [Rosier refere-se à Serra das Matas, em Monsenhor Tabosa]. Era bem perto da minha casa, bem em frente. Vem da infância também o gosto pela superação e pelo desafios. Eu tive que ralar muito isso me ajudou a planejar o que eu quero fazer na vida. Quando eu tinha 11,12 anos, eu já subia lá na serra feito macaco, sem equipamento,sem nada, e esse gosto foi ficando. Eu sou apaixonado pelo mato, pela vegetação e pela natureza.

RVM: Houve dificuldades quando você começou a sua empreitada?

RA: Muitas. Meus amigos acharam que eu estava doido. Subir uma rocha de Quixadá, pro exemplo, é uma coisa, mas escalar uma montanha gelada e pegar até 44 graus Celsius negativos…. A dificuldade de patrocínio foi natural. “Por que eu ia investir em um cara que não tem nennhum histórico em escalada de gelo?”. Ninguém acreditava no meu projeto. Mas eu sabia que o tava fazendo,eu me planejei muto. Isso me mostrou que a vida não é fácil, mas vale a pena lutar pelos desafios e sonhos.

RVM: E hoje? quais são os desafios de ser um montanhista?

RA: Os desafios continuam na mesma intensidade. Não mais tanto os financeiros, porque eu já consigo patrocínio. Hoje, só uma licença para subir o Everest custa 65 mil dólares! Isso sem falar nos custos com transporte, alimentação… Eu ainda tenho que encontrar tempo pra trabalhar, dar aulas, porque não tenho patrocínio integral, e ainda conseguir cuidar das minhas filhas. Mas eu estou feliz com o que eu faço e com o meu grande objetivo que é compartilhar com as pessoas isso: que é preciso trabalhar bastante pra vencer. Eu vou ser o primeiro a subir os setes cumes do mundo sem o auxílio de helicóptero.

RVM: Você vem realizando o projeto Sete Cumes, que consiste em subir os pontos mais altos de cada continente. A última das suas aventuras foi o Maciço Vinson, o ponto mais alto do continente antártico. Dentre as experiências como montanhista, qual você considera a mais engrandecedora?

RA: A montanha mais difícil de escalar foi conquistar uma vida digna. Até 10 anos eu não tinha, sequer, uma roupa pra mim, eram todas já usadas. A minha maior conquista foi acreditar que eu poderia viver com dignidade. Eu entrei na Universidade Federal do Ceará (UFC) com 30 anos de idade. Eu sempre acreditei que valia a pena estudar, ler. Mas, dentre as montanhas, físicas, foi McKinley, a montanha mais fria da terra, no Alaska. Ela é comparada hoje ao Everest.Tecnicamente, ela é bem perigosa.

RVM: Apesar de toda a sua experiência , você ainda sente algum receio, algum medo de escalar alguma montanha?

RA: E se eu lhe disser que eu tenho medo de altura? [Risos]. Se você me levar para a varanda de um apartamento do 15º andar, eu já tenho medo. Eu tenho muito medo de morrer, mas é isso que me faz planejar bem. Muita gente me diz: “agora, você vai subir o Everest de costas”. Eu tenho ter que ter muita prudência, preparar-me para as condições climáticas. O meu desafio é me planejar para ir e voltar com segurança.

RVM: E como anda a sua preparação para chegar ao ponto mais alto do mundo?

RA: A preparação fisica eu faço na academia: treino os movimentos que eu posso simular aqui em Fortaleza de acordo com as necessidades que eu possa ter na montanha. Eu tenho que simular tudo isso aqui. Além disso, faço muitos aeróbicos. Diariamente, eu corro, pois eu vou precisar de muito oxigênio

RVM: Você já sabe quando isso vai acontecer?

RA: Em abril e maio de 2014.

RVM: E depois de chegar ao topo do mundo, qual vai ser o seu objetivo?

RA: Com certeza, eu ainda vou ter várias metas. No Polo Norte , no Sul tem outras montanhas. Agora, eu tenho que concentrar toda a minha energia para o Everest. Totalmente focado pro Everest. Com certeza, não vou e aposentar. Vou subir o Everest com 45 anos de idade. Quando eu tiver 60, 70 anos, ainda quero estar subindo montanhas. Eu quero ser um velhinho saudável.