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Esportes

Especial do acesso: ponto de vista dos jogadores do elenco de 2017 do Fortaleza

Por: verdinha às 13:15 de 11/10/2017

Especial Verdinha - Fortaleza Série B

Na terceira reportagem do especial do acesso do Fortaleza à Série B 2018, será abordado o ponto de vista dos jogadores sobre esse momento. Para isso, a Verdinha Online entrevistou o zagueiro Adalberto e o goleiro Marcelo Boeck. Ambos chegaram ao Leão este ano; Adalberto retornando e Boeck vindo pela primeira vez. Eles falaram sobre a experiência de fazer parte do elenco que garantiu o acesso, sobre a pressão e o carinho da torcida e o que se passou na cabeça de cada um na decisão das quartas-de-final, em Juiz de Fora.

O começo de 2017 dava a entender que não seria o ano do Fortaleza. Eliminado de algumas das principais competições que disputa, como Campeonato Cearense (pelo Ferroviário), Copa do Nordeste (pelo Bahia) e Copa do Brasil (pelo São Raimundo-PA), o elenco era questionado e já se falava em mais um ano de terceira divisão, antes mesmo de o torneio começar. Considerado um dos conjuntos mais fracos dos últimos anos, o foco acabou voltando-se para a disputa da Série C.

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Foto: Diário do Nordeste

Foto: Diário do Nordeste

Dentre os atletas deste elenco, existem alguns que são remanescentes de anos anteriores. Adalberto, 29 anos, é um deles. O zagueiro, nascido em São Miguel do Gostoso, Rio Grande do Norte, fez parte do elenco do Tricolor entre os anos de 2013 e 2015. Foi campeão cearense em 2015, mas, no ano seguinte, saiu para o América-MG, onde foi campeão mineiro. Ainda em 2016, foi para o Náutico-PE, onde permaneceu até o começo deste ano, antes de retornar ao Fortaleza.

Adalberto relatou quais foram os motivos para seu retorno ao Fortaleza: “Alguns torcedores me mandavam mensagens pedindo para eu voltar. O fato de eu gostar do Fortaleza também influenciou, porque é um clube com o qual eu me identifiquei muito e, na primeira proposta que o clube me fez, não pensei duas vezes e decidi voltar”.

Em entrevista concedida ao jornal Diário do Nordeste em junho deste ano, o zagueiro revelou que mantinha o sonho de conquistar o acesso, mesmo nos anos em que passou fora do clube. Agora, depois do tão sonhado título, o atleta se mostra realizado nessa questão: “A sensação (de conquistar o acesso) é maravilhosa. Foi um dos melhores sentimentos da minha vida: primeiro, foi o nascimento do meu filho, depois vem o acesso pelo Fortaleza. Graças a Deus esse sonho foi realizado”.

Para ele, tiveram algumas diferenças entre os elencos de 2013, 2014 e 2015 para o de 2017; a confiança de jogar a primeira partida em casa, com o apoio da torcida, foi uma delas. “Nós nos cobramos durante aquela semana porque, nos outros anos, a gente se classificava para o mata-mata com rodadas de antecedência, e isso nos dava mais confiança. Esse ano foi totalmente diferente. Nos classificamos no último jogo, com luta. Crescemos na hora exata, no momento certo. Tínhamos que fazer por merecer”, analisou.

Ele declarou que, na partida de volta contra o Tupi, em Juiz de Fora, toda a equipe se reuniu nos últimos instantes antes de entrar em campo: “naquela hora, falamos que nós queríamos entrar para a história do clube, sendo campeões. Foi um ano muito difícil. Nós até trocaríamos estadual e Copa do Nordeste, na situação que foi, pela Série C. Só tínhamos essa oportunidade para dar alegria ao torcedor”.

Confira outros pontos da entrevista com o zagueiro Adalberto:

Outro jogador que é considerado pelos torcedores tricolores como o mais importante para a conquista do acesso à Série B é o goleiro Marcelo Boeck. O atleta de 32 anos começou no Internacional-RS, foi para Portugal jogar no Marítimo e, posteriormente, no Sporting. Em 2016, começou a defender a Chapecoense, onde foi terceiro goleiro. Em 28 de novembro daquele ano, dia de seu aniversário, não estava no avião da Lamia, que caiu e matou 71 pessoas, dentre as quais jogadores e membros da comissão técnica da equipe catarinense. Depois de, segundo nota emitida pelo próprio atleta, não haver interesse da diretoria alviverde em renovar o contrato, anunciou a chegada ao Fortaleza, em janeiro de 2017.

Quanto a vir jogar no Leão, Boeck afirma que foi um privilégio: “foi o Fortaleza que me escolheu. Muitas opiniões, primeiramente de Deus, depois da minha

Foto: Diário do Nordeste

Foto: Diário do Nordeste

esposa, a gente como família e muita vontade do Ênio Mourão, que era nosso vice-presidente e diretor de futebol na época. Desde o começo, houve uma conexão muito grande com a torcida, e isso foi outro fator que me motivou a escolher o Fortaleza. Desde que eu cheguei aqui, tenho sido muito feliz tanto na vida pessoal quanto na vida profissional”.

O goleiro, que tinha atuado somente em equipes da Série A do Campeonato Brasileiro e da Europa, pontuou também que não teve dificuldades com a estrutura do Tricolor: “tem coisas, como o número de torcedores e a estrutura física, que o Fortaleza possui mais que a Chapecoense, por exemplo. Eu creio que nós somos adaptáveis a tudo. Eu tenho a ideologia de estar em um lugar para ajudar a melhorar. Faz parte desse processo aceitar as condições e tentar fazer com que isso melhore a cada dia”.

Para ele, o momento mais difícil foi a eliminação do Campeonato Cearense para o Ferroviário: “a gente queria chegar à final do Cearense e conquistar aquele título. Quando nem chegamos na final, foi um baque muito grande, mas também tivemos a certeza de que, naquele momento, se a gente pudesse colocar a cabeça no lugar e fazer um planejamento melhor, coisas grandes iriam vir”. Ele acrescentou, ainda, sobre as outras eliminações do Fortaleza no ano, na Copa do Nordeste e na Copa do Brasil: “ninguém quer cair fora na primeira fase da Copa do Nordeste, ninguém quer cair fora na primeira fase da Copa do Brasil e ninguém quer ficar fora da final do Cearense. Mas isso nos calejou para chegar nesse momento de maior pressão, para suportar e colocar em prática, com tranquilidade, o que a gente aprendeu ao longo desses meses. Todo mundo que assina contrato com o Fortaleza só fala sobre o mata-mata, não se fala sobre a primeira fase da Série C”.

Boeck analisou também como se desenrolaram as campanhas dos últimos anos e as diferenças para a de 2017: “Foram feitas grandes campanhas de 2009 até o ano passado, mas chegava sempre no mata-mata e não conseguia. Neste ano, não foi uma grande campanha, como a gente queria, na primeira fase, mas conseguimos pelas nossas próprias forças a classificação. Depois de tantos anos, poder participar de um grupo que foi tão criticado, tão pressionado, tão ‘limitado’, mas quando chegou na hora, pôde dar uma das maiores alegrias do final de ano dos últimos oito anos do torcedor tricolor, faz eu me sentir orgulhoso e feliz de poder dizer ‘a gente conseguiu’.

Confira outros trechos da entrevista com Marcelo Boeck:

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