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Esportes

Especial do acesso: ponto de vista dos bastidores do Fortaleza

Por: verdinha às 12:59 de 10/10/2017

Especial Verdinha - Fortaleza Série B

Foto: Fortaleza EC Instagram/Reprodução

Foto: Fortaleza EC Instagram/Reprodução

Logo após a partida de volta das quartas-de-final contra o Tupi, ocorrida no último dia 23, o jogador Pablo, em entrevista ao programa Globo Esporte, resolveu fazer uma agradecimento especial e uma dedicatória às pessoas que trabalham nos bastidores do Fortaleza. “Eu dedico isso (o acesso) ao torcedor, mas eu dedico muito também aos funcionários. A gente saía triste de vários jogos, e os seguranças do clube estavam sempre a postos, para levar a gente para casa em segurança. A gente chegava no clube com derrota, e os funcionários da cozinha estavam preparando café, tudo de maravilhoso para chegar a esse momento. Eu não quero esquecer dos nossos torcedores, esses caras merecem. Só que os nossos funcionários também. Como eu não vou correr por eles? Eles merecem”.

>>>Especial do acesso: histórico dos oito anos do Fortaleza na Série C do Brasileiro

Nesse contexto, uma das personagens dos bastidores mais conhecidas e representativas quando se fala do Fortaleza Esporte Clube é Antônia Porfírio Lima, popularmente conhecida como Toinha, de 74 anos. Há 46 anos no clube, está há 17 exercendo a função de auxiliar de nutrição.

Mas isso só no nome, porque, na verdade, Toinha revela que faz de tudo um pouco no clube. “Eu também fico no vestiário até a hora que os meninos chegam para trocar de roupa: coloco as camisas nas cruzetas, boto uma aguinha benta, rapadura, banana, melancia, uva, o que tiver”, explica.

Foto: Fortaleza EC/Instagram/Reprodução

Foto: Fortaleza EC Instagram/Reprodução

Vinda de Iguatu, Toinha relata que morou no bairro Montese e que ficava encantada com os torcedores passando para o Estádio Presidente Vargas com as bandeiras coloridas do Fortaleza em dia de jogo. Ela logo se identificou com o clube e começou a trabalhar lá pouco tempo depois. Começou trabalhando na portaria, ajudando a juntar dinheiro para comprar as chuteiras dos meninos que treinavam. Depois de um período, acabou fazendo de tudo: “Fui cobradora, lavadeira, cozinheira, telefonista…e tô aqui até hoje”, conta.

Para mim, (o acesso) foi tudo. Tem a ver, inclusive, com o meu trabalho, porque se você não é vencedor, o trabalho ‘vai embora’. Cada funcionário tem um pouquinho desse acesso.

Ao longo dos últimos oito anos, passaram muitos atletas pelo Fortaleza, com rotatividade quase que completa por temporada. Todos eles, que Toinha costuma chamar de filhos de sua segunda família, eram incentivados por ela, seja antes, seja depois das consecutivas frustrações na Série C. “Eu conversava (com eles) antes e depois (desses momentos). Quando eu falava com eles depois, era para dar mais apoio. Quando você trabalha todos os dias, sabe que todo mundo quer ser vencedor e, quando eles não venciam, a gente tinha que trazer muita fé para que eles não ficassem abatidos”, relembra.

A palavra “acesso” não é muito bem-vinda no dicionário da auxiliar de nutrição: “Eu falava pra eles (jogadores): não tem acesso, é vitória. Esqueçam esse acesso”. Toinha afirma também que não passou pela sua cabeça, em nenhum momento, que a equipe não conseguiria a ascensão para a Série B do Campeonato Brasileiro. “Para mim, (o acesso) não foi uma surpresa. Eu falei para todos eles que desse ano não passava, porque não tinha estrela no time, todos eram iguais. A união aqui fez a força”, explica.

A decisão de cruzar o campo de joelhos não foi uma novidade. Ela já havia feito isso quando o Fortaleza subiu para a primeira divisão de 2005. Ao final da partida contra o Avaí, no Castelão, vencida por 2 a 0, Toinha atravessou o gramado de joelhos. Desta vez, ela havia firmado a promessa desde o começo do ano: “Eu tinha dito que, se a gente ganhasse, eu faria isso no Castelão, mas acabou sendo lá (em Juiz de Fora). Quando me focalizaram, eu já ia no meio do campo”, relata.

Já a ideia de viajar para apoiar o elenco no jogo da volta do mata-mata, em Juiz de Fora, não veio logo de cara, pois Toinha iria cuidar dos últimos preparativos dos atletas para a disputa da Taça Fares Lopes. Então o vice-presidente do clube, Marcelo Paz, comunicou que gostaria que a auxiliar de nutrição viajasse para dar força aos jogadores frente a essa partida decisiva. Ela não aceitou a proposta de início, mas depois foi convencida: “Fomos eu e mais um funcionário que trabalha na loja, de ônibus. Dos anos todos que eu tenho de Fortaleza, eu nunca tinha tido uma viagem tão linda”, recorda.

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