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Esportes

Especial do acesso: histórico dos oito anos do Fortaleza na Série C do Brasileiro

Por: verdinha às 12:59 de 09/10/2017

Especial Verdinha - Fortaleza Série BNo último sábado (07), o Fortaleza visitou o Sampaio Corrêa em partida de volta pelas semifinais da Série C e empatou por 2 a 2, resultado que favoreceu o Leão e conduziu a equipe à quarta final nacional de sua história. E a decisão será nordestina: contra o CSA-AL, com o primeiro jogo na Arena Castelão e o segundo, fora. Mas o Leão já havia garantido a vaga na Série B contra o Tupi, no dia 23 de setembro, depois de longos oito anos sem atingir o acesso.

Desde quando foi rebaixado para a terceira divisão do Campeonato Brasileiro, em 2009, o time do Fortaleza passou por uma série de dificuldades e complicações até finalmente conquistar o acesso para a segundona neste ano. Transitou entre extremos: de se classificar sem grandes problemas para o tão falado mata-mata da Série C, como em 2012 e em 2014, até quase cair para a quarta divisão, em 2010.

O Leão participou desde a primeira edição do novo formato da Série C. E foram sete vezes batendo na trave. Além disso, o Tricolor é a equipe que mais vezes participou da terceira divisão com o novo formato, seguido de Águia de Marabá (PA), Caxias (RS), Macaé (RJ) e Salgueiro (PE), todos esses com sete participações cada.

Em 2010, quando o Fortaleza vivenciou o primeiro dos oito anos consecutivos na terceira divisão, a Série C era disputada com 20 equipes, divididas igualmente em quatro grupos, com os dois primeiros de cada um passando para as quartas-de-final. O grupo do Tricolor era composto também por Rio Branco-AC, São Raimundo-PA, Paysandu-PA e Águia de Marabá-PA.

O desempenho da equipe naquele ano deixou a desejar, apesar de não ter perdido nenhuma partida. Apesar disso, ganhou apenas do São Raimundo, dentro e fora de casa, pelos placares de 2 a 1 e 3 a 2, respectivamente. No mais, foram seis empates, entre 0 a 0 e 1 a 1. Na última rodada da fase de grupos, foi eliminado pelo Águia de Marabá, fora de casa, por um empate de 1 a 1, ficando em terceiro lugar do grupo A daquele ano.

No ano seguinte, o Leão do Pici conseguiu fazer uma temporada ainda mais lamentável do que na campanha de 2010: foram duas vitórias, três empates e três derrotas, o suficiente para entrar na briga contra o rebaixamento para a Série D. A partida decisiva foi contra o CRB, que viria a ser o campeão nacional da terceira divisão daquele ano.

Em um jogo envolto em controvérsias e polêmicas e bastante questionado até hoje, o Fortaleza conseguiu fazer exatamente o resultado que precisava: tinham que ganhar por quatro gols de diferença e, no Estádio Presidente Vargas completamente lotado, venceram a partida por 4 a 0. Algumas análises feitas na época apontavam que, quando estava 3 a 0, o atacante Carlinhos Bala teria gesticulado para os jogadores do time alagoano, como se avisasse que precisava de mais um gol. O Campinense, um dos clubes rebaixados naquele ano, entrou com uma ação no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) para suspender o resultado, mas foi em vão, e o Fortaleza permaneceu na Série C para o ano seguinte.

Com uma temporada exemplar em relação aos dois anos anteriores, o clima era de que o time finalmente ia subir para a segunda divisão. Classificou-se como o primeiro do grupo A, com 39 pontos, cinco a mais que o segundo colocado Luverdense, e um saldo positivo de 17 gols. Foi a partir desse ano que a Série C passou a ser disputada no formato atual, com dois grupos de 10 times cada.

Com isso, o Tricolor teve que enfrentar o Oeste na fase de mata-mata. A equipe paulista tinha se classificado em quarto lugar no grupo B. A primeira partida, ocorrida no Estádio de Amaros, em Itápolis, interior paulista, terminou empatada em 1 a 1, e o Fortaleza jogava apenas por um empate na volta, em casa, para subir para a Série B. Porém, o Leão foi surpreendido por um placar elástico de 3 a 1, com muitas dificuldades, e o sonho de conseguir o acesso foi, mais uma vez, adiado.

Em 2013, o Tricolor fez uma campanha muito abaixo da do ano anterior e permaneceu na briga para se classificar entre os quatro primeiros do grupo, para, assim, avançar para as quartas do campeonato. Na partida decisiva contra o Sampaio Corrêa, o Leão vencia por 2 a 1 até os minutos finais. Porém, aos 47 do segundo tempo, o zagueiro Paulo Sérgio cabeceou dentro da área tricolor e marcou o gol de empate dos maranhenses, deixando os mais de 40 mil torcedores presentes na Arena Castelão frustrados. O gol eliminou o Fortaleza da disputa e ajudou a conduzir o Sampaio para o acesso daquele ano.

No ano seguinte, o Leão do Pici fez uma campanha muito parecida com a de 2012, com um desempenho acima da média. Mais uma vez a equipe cearense se classificou como a primeira do grupo, com 35 pontos, oito a mais que o segundo colocado CRB. Na ocasião, o Tricolor enfrentou o Macaé na fase de mata-mata. Voltaram do Rio de Janeiro com um empate sem gols, o que deixou tudo pendente para a partida no Castelão. Este jogo terminou empatado em 1 a 1, resultado que favoreceu os cariocas devido ao gol fora de casa, e amargou o sexto ano consecutivo da equipe na terceira divisão do Brasileiro.

Em 2015, o enredo foi praticamente o mesmo do ano anterior. O Fortaleza novamente passou como o primeiro colocado do grupo A, só que com uma diferença de um ponto para o ASA, segundo lugar na tabela. O adversário da vez nas quartas foi o Brasil de Pelotas. A partida de ida, em Pelotas, os donos da casa venceram por 1 a 0 e, na volta, seguraram um empate sem gols, o que garantiu a classificação dos gaúchos para as semis e mais um ano de Série C para o Fortaleza.

A permanência da equipe cearense por sete anos na terceira divisão era algo muito difícil de acreditar para a torcida. A cada ano, boa parte do elenco era modificada, treinadores eram trocados, mas nada mudava. Em 2016, o sentimento era de que isso poderia ter um fim, e o clube poderia voltar ao posto tão sonhado na segunda divisão. O filme dos dois anos anteriores se repetiu: classificação antecipada e em primeiro lugar do grupo A. O primeiro jogo da decisão contra o Juventude, novamente fora de casa, terminou com mais um empate, sem gols. Na partida ocorrida no Castelão, a equipe gaúcha conseguiu cadenciar o ritmo da partida e arrancou outro empate, desta vez em 1 a 1, e fez com que o Fortaleza continuasse alimentando o fantasma da Série C, agora pelo oitavo ano consecutivo.

Em 2017, o cenário era completamente diferente. Por causa das eliminações precoces em competições importantes regional e nacionalmente, como Campeonato Cearense, Copa do Nordeste e Copa do Brasil, o elenco do Fortaleza estava mais desacreditado do que nunca. A expectativa de muitos torcedores, especialmente dos rivais, era de que o Leão não subiria para a Série B. O baixo desempenho em grande parte dos jogos da terceirona era nítido, e isso enfraquecia mais ainda a relação com a torcida tricolor.

Até que, especialmente a partir da partida contra o Moto Club-MA, quando era “vencer ou vencer” para passar para a fase de mata-mata, o Fortaleza conseguiu fazer um jogo consistente, mas nada fácil, com grande atuação do goleiro e capitão Marcelo Boeck, que fez grandes defesas. A classificação veio com o único gol da partida, de Ronny, aos 29 do segundo tempo, e a vaga nas quartas-de-final estava garantida mais uma vez.

A decisão também seria diferente do que havia sido nos anos anteriores. O primeiro jogo definitivo foi em casa, com o Castelão lotado. A equipe conseguiu vencer, por 2 a 0, jogando bem, e garantiu certa tranquilidade para a partida da volta, em Juiz de Fora. É verdade que tranquilidade não é a palavra correta para descrever o jogo que o Tupi venceu por 1 a 0, mas por causa de um bom jogo do time e de mais uma noite inspirada de Marcelo Boeck, que fez a defesa mais importante da partida aos 40 minutos do segundo tempo, o tão sonhado acesso dos tricolores veio. E a festa não podia ter sido maior.

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